Conheça a história do nosso sócio fundador Ezequiel Frandoloso

*Ezequiel Frandoloso

Eu venho de uma infância cheia de dificuldades, uma infância pobre. Minha mãe era merendeira e meu pai mecânico, eles se separaram quanto eu tinha 5 anos de idade (em 1986). Minha mãe, dona Izabela, com quem eu e meus 3 irmãos (Adriani, Juliana e Michel), à época, fomos morar, no interior de Santa Catarina, na roça, batalhou muito, por não ter estudo (é semianalfabeta), para conseguir um emprego. E conseguiu. Ela começou a trabalhar numa escola estadual em 1987, onde se aposentou recentemente e continua a trabalhar no local porque o trabalho está em seu DNA. Como minha mãe trabalhava o dia todo, nós precisávamos nos virar em casa – apesar de nossa pouca idade (minha irmã mais velha tinha 7 anos) – com a ajuda de minha falecida avó. O que ela ganhava não era muito. Nos sustentava. Colocava a comida na mesa, às vezes precisávamos de ajuda. Mas, era o suficiente, sobrevivemos. Na adolescência, aos 14 anos (em 1995), quando me formei na 8ª série e na mesma escola estadual onde minha mãe era merendeira, eu, a convite de uma tia (irmã do meu pai) e meu tio, com a concordância de minha mãe, mudei de cidade para trabalhar, continuar os estudos e fazer cursos. Com eles, que me deram todo o apoio, iniciei o 1º ano do ensino médio numa escola estadual (em 1996). Não conhecia ninguém. Aos poucos, fui fazendo alguns amigos. De todos eles, eu era certamente o mais pobre. Eu queria poder fazer tudo o que os outros podiam. Mas, havia uma limitação. Sempre havia limitações. Muitas limitações. Eu não tinha dinheiro para poder fazer o que eles faziam. No mesmo ano iniciei um curso de informática custeado pelos meus tios. Até então eu não sabia o que era computador. Também fui aprovado em um curso de aprendizagem industrial na ocupação de mecânico geral no Senai, curso esse com duração de 1.600 horas, o qual iniciei em fevereiro/1996. Durante o período de curso no Senai, localizado em outra cidade (1 hora de distância), eu, fazia o curso pela manhã, trabalhava na parte da tarde e estudava a noite. E, em 1997, iniciei o 2º ano numa escola particular da cidade, bancada pelos meus tios, uma escola técnica de comércio que se chamava “Rui Barbosa”. Isso mesmo, “Rui Barbosa” um dos maiores juristas do Brasil. Era meu propósito ser advogado? Não fazia ideia. No mesmo ano, terminei o curso do Senai e concluí, com êxito, o 2º ano do ensino médio. No ano seguinte, em 1998, eu não me sentia feliz, pois, apesar de trabalhar o dia todo na mecânica dos meus tios como torneiro mecânico e estudar a noite, cheguei à conclusão que não era o que eu queria continuar a fazer e, talvez, não vislumbrava, um futuro promissor ali. Em maio de 1998, ano de copa do mundo, quando estudava no 3º ano na escola “Rui Barbosa”, resolvi mudar de vida. Eu era jovem, não estava feliz, queria ganhar dinheiro, conquistar coisas, construir minha própria história. E, à época, aos 16 anos, me mudei a São Paulo. Eu já tinha alguns parentes (primos) na maior metrópole do Brasil. Comprei minha passagem, a minha mãe ajudou-me a comprar uma mala, algumas roupas, um par de sapatos. Cheguei em São Paulo com a ideia de que o emprego num restaurante tradicional estava praticamente garantido, porém, estando São Paulo, tive dificuldade de ser contratado por conta de minha idade, o dono estava a mudar de ideia, mas, ao final, tudo deu certo. Fui contratado. Fazia faxina nos banheiros do restaurante, e limpava o chão quando algo quebrava no “salão” durante o movimento. Eu dava o meu máximo. Eu era dedicado e sempre elogiado por deixar os banheiros cheirosos. Trabalhei alguns meses como faxineiro, em dois turnos, depois fui promovido a copeiro e, mais tarde, garçom. Sempre fazia 2 turnos, de segunda a segunda, com uma folga na semana. O trabalho puxado me impedia de estudar e, depois, iniciar uma faculdade, foi aí que tomei a decisão de, em 2003, fazer um supletivo a distância do 3º ano do ensino médio que me faltava. Estudava nas minhas horas vagas e no dia de folga da semana eu ia lá na escola fazer as provas. Concluí com êxito. Prestei vestibular em direito em novembro de 2003. Passei. Fiz a matrícula. Iniciei o curso de direito em 2004. Parei de trabalhar no restaurante em período integral. Fazia “extras” de final de semana e feriados para ajudar a custear os estudos. Não foi fácil. Faltei algumas vezes na faculdade porque não tinha grana para pagar a passagem de ônibus e metrô. Morava de favor. Tive ajuda de amigos. Eu pegava livros emprestados de um amigo que havia se formado em direito. Na faculdade, meus colegas tinham mais condições financeiras, eu continuava sendo o menino mais pobre. Foram anos de dificuldades. Em 2005, quando iniciei o 2º ano da faculdade, consegui um estágio em período integral num grande escritório de São Paulo. Confesso que não sabia, à época, se era o meu propósito ser advogado. Eu queria ser. Conheci pessoas incríveis e foi minha primeira escola prática. Aprendi muito. Muito mesmo! Depois, no final de 2006, fui aprovado num processo seletivo para estagiar num dos maiores escritórios de advogados do Brasil. Aqui eu já sabia que meu propósito era ser advogado. Meus olhos brilhavam!!! Eu ia trabalhar numa das principais corporações de advogados do país. Fiquei lá até me formar na faculdade em julho de 2009. Depois, foquei para ser aprovado na prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Chegou o resultado. Fui aprovado, fui aprovado, fui aprovado!!! À época, eu morava perto de alguns prédios comerciais espelhados e facilmente vi diversas pessoas levantarem de suas cadeiras para ver o que estava acontecendo. Lembro que saí na sacada e gritava. Era um sentimento intenso de alegria. Passou um filme na minha cabeça de todos os percalços que passei para chegar até ali. Meus olhos brilhavam. Fui inscrito como advogado em novembro de 2009. Comecei a trabalhar numa outra corporação de advogados em dezembro/2009, também uma das maiores do Brasil, onde permaneci até fevereiro de 2015. Fiz especializações. Diversos cursos. Comecei a desenhar minha carreira como advogado autônomo e, em novembro de 2016, decidi chamar minha irmã, Juliana Frandoloso (outra que tem sua própria história para contar), para ser sócia e criar nossa Sociedade de Advogados. E, mesmo quando isso aconteceu, ainda comi poeira. São muitas histórias a contar. Muitas…. Hoje, tenho uma família estupenda. Aliás, sempre tive uma família espetacular. Uma esposa especial. Uma filha maravilhosa. Conquistei muitas coisas. Viajei a 10 países. Saí da posição de menino pobre. Porque eu lembrei de tudo o que eu, a minha mãe e os meus irmãos passamos juntos na infância pobre que tivemos e de como a minha história me fez chegar onde estou. Mas, quando você descobre o seu propósito, você consegue mantê-lo, você consegue focar em seus objetivos. A constância é a chave para voos altos, e o céu é o meu limite. 🙂

 

*Ezequiel Frandoloso, é advogado em São Paulo, especialista em Direito do Consumidor, Civil, Imobiliário, Empresarial e CEO da Frandoloso Sociedade de Advogados.

 

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